Ilha de Paquetá

Quando ir a Paquetá?

 

A ilha é um destino fascinante em qualquer estação do ano, mas a melhor época para ir a Paquetá é a baixa temporada, entre abril e novembro. São os meses em que chove menos, não há grande concentração de turistas, os prestadores de serviço estão menos estressados e assim o atendimento costuma ser melhor, às vezes surgindo até algumas oportunidades para conseguir bons descontos.

Independentemente da época do ano, aos domingos e feriados a ilha costuma ficar bastante movimentada, com praias lotadas. Se isso for um incômodo para você, programe-se para visitá-la em dias de semana.

Quantos dias ficar em Paquetá?

 

Se o objetivo for apenas conhecer os principais pontos turísticos, um dia de passeio é suficiente. Entretanto, para curtir a noite e aproveitar a calmaria da Ilha de Paquetá para se desligar do mundo, recomendo ao menos dois dias por lá.

O que fazer em Paquetá

 

Não se assuste com a quantidade de pontos turísticos e monumentos listados neste guia. Há muito o que fazer em Paquetá, mas a ilha é pequena, então esses pontos ficam a poucos metros uns dos outros.

Além disso, grande parte dos lugares listados são apenas para observação externa, com uma pausa curta para admirar ou fotografar. São os parques, praias e igrejas que demandam mais tempo para visitação, mas fica a seu critério escolher o que ver de acordo com seus interesses.

Ilha de Paquetá e o Romance A Moreninha

 

Em 1843, Joaquim Manuel de Macedo escreveu o romance "A Moreninha", que é considerado o iniciador do "romantismo" na literatura brasileira.

O livro se tornou um grande sucesso e muitos acreditam que a estória poderia ser real, ter realmente acontecido na Ilha de Paquetá, o que a tornou nacionalmente conhecida. Até onde vai a fantasia, até onde vai a realidade?

O livro A Moreninha foi publicado em 1844 e desde então tornou-se um sucesso

O livro foi escrito em 1843 por Joaquim Manuel de Macedo e publicado em 1844, sendo tido como o primeiro marco do "romantismo" na literatura brasileira. Um estilo literário que tem como caracteristicas linguagem simples, exatidão de descrições de costumes, incentivo à virtude e respeito à decência, e geralmente de um conteúdo sentimental e açucarado beirando o exagero, mas que agradava bastante.

Macedo era estudante de medicina quando escreveu o livro. O romance foi um grande sucesso, e se tornou um dos livros mais lidos de todos os tempos no Brasil. O livro só foi equiparado ou talvez superado por "O Guraraní", escrito por José de Alencar. Tanto Macedo como Alencar se tornaram nomes muito conhecidos à sua época e também nos dias de hoje. Macedo abandonou posteriormente a medicina, foi deputado, e se tornou inclusive amigo próximo da familia do Imperador Pedro II, tendo lecionado para os filhos do mesmo. Além de deputado e professor, foi sócio -fundador do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e eleito patrono da cadeira nº 20 da Academia Brasileira de Letras.

Seria Paquetá Cenário do Livro?

Teria sido a ilha, com seus belos cenários, como mostrados ao lado, o local de um romance real, ou apenas serviu de inspiração para o escritor?

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Acima, a praia da Moreninha na Ilha de Paquetá.

 

Acima, a praça Manuel de Macedo, em homenagem ao escritor. A praçinha situa-se rente à Praia da Moreninha, e nela destacam-se as árvores, casa e bancos em pedra e a rua em saibro ou terra, uma característica do bairro.

 

Ilha de Paqueta e Baía de Guanabara vista do alto da Pedra da Moreninha.

Existem estudiosos da vida e obra de Macedo, 

Praça Pintor Pedro Bruno

 

Este é o primeiro lugar que você vai visitar em Paquetá, já que aqui se encontra a estação das barcas. Pedro Bruno foi um pintor, escultor e desenhista nascido na ilha, responsável por diversos projetos paisagísticos que até hoje embelezam o bairro.

A própria praça foi projetada pelo artista, incluindo o bebedouro de pedra, as colunas e os bancos.

Casa da Moreninha

 

Depois de longas horas de passeios, chegamos ao último ponto turístico da Ilha de Paquetá, a Casa da Moreninha. Ela se destaca não só por seu bom estado de conservação, mas por ter sido usada nas filmagens da novela A Moreninha, exibida pela Rede Globo em 1975.

Também não está aberta para visitação, mas muitos turistas param no portão para tirar uma foto em frente a essa casa que até parece de boneca, graças às paredes cor-de-rosa.

Como se deslocar em Paquetá

 

A circulação de automóveis não é permitida, somente carros que prestam serviços à comunidade estão autorizados a trafegar na ilha, sendo eles: viatura policial, carro de bombeiro, ambulância, caminhão de lixo e de gás.

Até pouco tempo atrás as charretes eram um símbolo de Paquetá. Felizmente essa realidade mudou em 2016, quando esse tipo de transporte passou a ser proibido devido às condições de penúria em que os cavalos viviam e também por causa da contaminação do solo pela urina e fezes dos animais.

Final feliz para os bichos, que foram levados para um Centro de Proteção Animal em Guaratiba. No lugar deles passaram a circular “charretes elétricas”, veículos de cinco lugares que se parecem com carrinhos de golfe. Outra opção são os “eco-taxis”, estas sim parecidas com charretes, porém com uma bicicleta no lugar dos cavalos.

Preços: as charretes elétricas cobram R$100 pelo passeio de 1 hora e R$70 por 30 minutos, já os eco-táxis cobram R$5 por corrida, independente do lugar de início e de destino. Também é possível alugar uma bicicleta por R$5 e fazer o seu próprio itinerário. Pagamentos só são aceitos em dinheiro.

Existem estudiosos da vida e obra de Macedo, que acham possível traçar alguns paralelos entre a estória da Moreninha com sua história pessoal, onde Augusto poderia ser o alter ego ou uma forma de expressar a personalidade do autor de forma velada ou não declarada, e a personagem principal Carolina o alter ego de sua esposa.

Existem também afirmações que o romance teria sido escrito quando o autor esteve hospedado em uma pensão na Rua Padre Juvenal, em Paquetá, rua que começa na Praia Pintor Castagneto, passando pela Praça São Roque e indo até à atual Praia da Moreninha, antigamente chamada Praia do Itanhangá. É no final desta praia que existe a pedra ou ponto alto, que posteriormente passou a ser chamado de Ppedra da Moreninha.

 

Segundo o escritor e também antigo morador de Paqueta, Vivaldo Coracy, e também autor de um livro sobre a ilha, não existe certeza absoluta que a estória se passe em Paquetá, ou que algum dos personagens tenham existido de verdade em Paquetá.

Existem apenas suposições acerca disso. Eu mesmo, que escrevo este texto, fui conferir no livro e não ví a palavra Paquetá citada em momento algum.

Entretanto, pelo que se pode entender, Paquetá se encaixa na estória como sendo a Ilha descrita pelo autor, de forma fantasiosa ou com similaridades reais descritas no livro em questão.

Já existiram boatos ou vagas hipóteses que a estória poderia ter sido inspirada em alguma moça que morou na ilha. Talvez o escritor, quando escreveu o romance, evitou citar o local nominalmente para evitar associações com pessoas ou provocar polêmicas. E talvez a moreninha, transformada em personagem, tenha existido de fato e vivido na Ilha.

Entretanto, o mesmo Vivaldo Coracy, citado anteriormente, afirma não existir comprovação de alguma pessoa que seria a moça da estória, tendo ele mesmo entrevistado vários moradores antigos em busca de algum fato relacionado e nada encontrou que pudesse aventar ao menos uma hipótese.

Então a primeira hipótese, de Paquetá ter servido apenas como inspiração de cenário para uma estória fictícia seja talvez a melhor hipótese. Na verdade certamente o é.

Parque temático deu nome à Pedra e Praia da Moreninha

Nos início dos anos da década de 1940, um área pública de Paquetá, que foi uma chácara, abrangendo o Morro de São Roque onde situa-se a assim chamada Pedra da Moreninha (antigamente chamada de pedra do Itanhangá), juntamente com a área da praia também chamada nos dias de hoje de Praia da Moreninha (antigamente chamada de Praia do Itanhangá), foi arrendada à um empresário para exploração como balneário, parte de um projeto que incluiu um hotel e um parque de diversões.

Com intuito de "marketing" ou propaganda com fins comerciais, o empresário deu nome à esta chácara de "A Moreninha", divulgando assim a Ilha como cenário para o romance. Alguns anos depois este contrato de arrendamento foi extinto, e a área voltou ao poder público.

A Pedra da Moreninha é um ponto alto de onde se tem uma bela vista do mar e parte da orla de Paquetá. Mas seria praticamente impossível que está pedra fosse o local de onde a moça da história subia para ver a chegada de alguém à distância como descrito no livro. A Pedra é muito ingreme e não tem o acesso facilitado por escadas e uma ponte de madeira como fizeram posteriormente, ao transforma-la em ponto turístico. Vivaldo Coracy inclusive diz em tom de ironia que a moça somente poderia subir naquela pedra em tempos remotos se fosse uma lagartixa no sentido literal da palavra.

Possível ou impossível? Contra-argumentos é o que não falta, afinal, existem moças criadas em ambientes naturais que aprendem a lidar com o ambiente natural e rural. Além do mais, se Macedo o autor do livro, tiver realmente se hospedado nas proximidades como foi dito mais acima, quem garante que ele não subiu naquela Pedra, ou até mesmo na companhia de uma moça? Afinal, no tempo de D. Pedro I, e portanto muitos anos antes, fazer passeios e excursões campestres que levavam um dia ao topo do Corcovado havia se tornado moda na cidade. Porque então alguem não haveria de ter arrumado algum caminho e pequena ponte para subir em um pedra de proporções muito menores? Enfim, se é lenda ou realidade, fica por conta do discernimento de cada um.

Paquetá finalmente foi cenário de filmes e novelas sobre "A Moreninha"

Dois filmes foram feitos sobre o livro A Moreninha, um de 1915 e outro com Sônia Braga de 1970, ambos com o nome de A Moreninha.

 

Residência particular em Paquetá, que foi utilizada como cenário ou casa da Moreninha, em novela de TV na métade da década de 1970.

 

O filme de 1915 é do tempo do cinema mudo, e não sei dizer se utilizaram Paquetá como cenário.

Quanto ao filme de 1970, a Ilha de Paquetá foi utilizada como cenário.

Duas telenovelas também foram produzidas, uma com Marília Pêra em 1965 e outra com Nívea Maria em 1975.

Existem muitos registros e fotos da ultima telenovela produzida pela Globo, e a Ilha de Paqueta foi o cenário da telenovela de 1975 com Nívea Maria. Na novela de 1965, também foram feitas cenas externas em Paquetá.

Ao lado, cena da novela de 1975 tendo a atriz Nívea Maria no papel principal e mais à direita o cartaz do filme feito na década de 1970 com Sónia Braga no papel principal.

A foto da casa ao lado, uma provável construção do final do século 19 ou primeiros anos do século 20, é uma bela e bem preservada residência particular em Paquetá, que foi utilizada como cenário ou casa da Moreninha, em novela de TV na métade da década de 1970.

A casa localiza-se na Praia Grossa, à direita de quem sai da Estação da Barcas. Sendo uma casa particular, não é permitida visitação interna, mas a casa chama a atenção pela sutileza e estado impecável de conservação, podendo ser observada externamente.

 

 

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